As ruas de pedra da cidade exigem que os visitantes andem olhando para o chão... e para os sapatos de quem passa
As ruas rústicas da cidade histórica de Paraty receberão, entre os dias 4 e 8 de agosto, autores, leitores, editores e todos os tipos que gravitam em torno da Festa Literária Internacional. Intelectuais em sua maioria, o estilo de vestir dos visitantes é tão variado quanto são as prosas, romances e poesias. O desafio de quem vai é dosar, na mala, básicos e pitadas certeiras de modernidade. Um item imprescindível são os sapatos.
“Em Paraty, a gente é obrigado a andar olhando para o chão... e a primeira coisa que a gente vê das pessoas é o pé. Tem cada calçado incrível”, constata May Parreira e Ferreira, escritora e diretora da Ofício das Palavras, editora e estúdio literário, que costuma organizar grupos de visita ao evento de até quinze pessoas. “Óbvio que tem gente que usa salto, o que é absolutamente inadequado por causa do calçamento de pedras da cidade. Mas há também quem use sandálias abertas, o que deixa o pé cheio de areia. Eu não gosto”, alerta.
A mala de uma viagem para Paraty possui, portanto, algumas peculiaridades. “São apenas quatro dias, então é preciso levar o mínimo”, diz May. A praticidade e o conforto norteiam as escolhas. Para os pés, um tênis de tecido impermeável, para o caso de chover, um sapato fechado marrom e uma sapatilha mais arrumadinha, cor de rosa, tudo sem salto. Escolhidos os calçados, May parte para os componentes básicos: uma saia preta básica, com prega macho na frente, para o caso de algum convite mais formal, e duas calças, uma marrom e uma preta, básicas, mas com alguma bossa, uma prega lateral, um fechamento envelope. May prefere organizar a bagagem coordenando as peças, em vez de escolher um look por dia. “Vai que eu programo uma coisa e acaba acontecendo outra? Prefiro peças versáteis, que permitem vários cruzamentos de looks.”
Seguindo essa lógica, a autora do livro infantil “A Caixa das Importâncias”, parte para as blusas: uma camiseta de manga comprida marrom, outra bege. Uma malha de lã sem mangas, uma malha preta e outra um pouco mais colorida. Uma de linha, com a manga ¾, uma regata com rendinha, um cashmere de manga curta, outra sem manga bege e duas camisetas brancas completam o kit. As peças são, em sua maioria, da confecção Fidèlitè. Uma t-shirt “bem coisa de Flip”, com bordado de árvore com botões aplicados, é uma das preferidas de May. Para o frio de meia estação, ela selecionou casaquinhos, como o tricolor de malha, que vai com tudo, ou o todo desenhado, com imagens que lembram Paraty vista do mar. Para um frio mais intenso, May leva uma capa de lã.
Escritora e editora, May Parreira e Ferreira vai todo ano à Flip e recomenda levar bengala e chapéu
Entre os acessórios, é preciso levar chapéus. “Eu levo um para de noite, de lã, e um de palha, para o dia, além de um bonezinho. Recomendo perder a vergonha e levar uma bengalinha, pois às vezes fica difícil caminhar.”
Os lenços, segundo May, não servem apenas para aquecer e enfeitar. Em uma emergência, eles são usados para forrar o chão. “A gente senta na rua mesmo”, lembra ela. A bolsa para uso diário deve ser de tecido leve e, de preferência, impermeável. “A minha é da Uncke K, que estava com 50% de desconto. O modelo pode ser a tiracolo ou mochila”, sugere.
Tem de ter espaço para o notebook, caderninhos (os dela são personalizados, feitos pela Cheiro de Papel) e papel higiênico (ou lencinhos de papel). Digamos que os banheiros colocados à disposição do público não oferecem o item básico de higiene.
Além da mala, May prepara uma maleta de mão, na qual vão a nécessaire, um short, uma camiseta e um tênis de corrida, para o caso de ela se empolgar e treinar, e uma parte da coleção de óculos de grau. “Os óculos são absolutamente necessários como complemento da minha roupa”, avisa. Uma capa de chuva descartável nunca é demais, assim com um maiô, uma canga e um par de Havaianas. “Há passeios maravilhosos de barco pelas ilhas, e a maior parte das pousadas tem piscinas. Não custa levar.”