Daniela Cutait revela que encontrou seu 'flow' na confecção de colares
Em qualquer vitrine – e em todos os pescoços – é impossível não reconhecer um colar assinado por Daniela Cutait. Feitos de forma artesanal, são criações únicas e exclusivas, e se destacam pela variedade de pedrarias e bordados. Em apenas três anos de mercado, a designer já conta com 15 pontos-de-venda no Brasil e exterior. “Estamos em uma pop up store em Nova York”, revela Daniela, filha de fotógrafa e formada em artes plásticas que encontrou, na confecção de colares, o que chama de seu “flow”. O conceito de ‘flow’, proposto por Mihaly Csikszentmihalyi nos anos 60, de fato se adequa perfeitamente à experiência criativa de Daniela: é um estado mental de operação em que uma pessoa, em uma atividade, está totalmente imerso em um sentimento de foco energizado, com pleno envolvimento e sucesso no processo. Em outras palavras, ela nasceu pra isso.
Um traço na mesa marca o tamanho do colar. A partir daí, Daniela cria cada peça
“Eu fico muda e vou escolhendo as pedras. Para mim, é muito fácil”, conta ela. Um risco à caneta em sua mesa define o tamanho de um colar e, a partir desta marcação, a designer vai dispondo as peças. Na sequência, essa montagem é enviada pra uma equipe externa de bordadeiras. Cada colar é único. Só neste ano, ela já produziu mais de 365 peças.
“Não tenho acervo de nada!”, revela a artesã, que já está habituada a vender os colares que usa. Ela costuma fazer um ‘test drive’ das peça para conferir se estão pesadas, se caem bem, mas não dura com nenhuma delas muito tempo.“Quando eu estou com alguma peça no pescoço, é comum me pedirem pra comprar, e eu vendo”, diverte-se, sem apego.
Daniela trabalha e cria em um ateliê, Rua Prof. Artur Ramos, em São Paulo, onde recebe compradores, fornecedores e algumas amigas. No site, a clientela escolhe o que deseja e, muitas vezes, recebe em casa os pedidos. Grande parte das matérias-primas que utiliza, traz do Exterior.
Na área reservada à exposição das peças, além dos colares, chamam a atenção as bolsas, os chapéus e uma pequena arara, com caftans super exclusivos. “Há uns dez anos eu tive uma confecção de bolsas, a RSVPurse, com Adriana Mattos”, diz, ao identificar, ali, um embrião da artesã que veio a se tornar. Daniela saiu da sociedade, criou os filhos – Pedro (13 anos) e João (15 anos) – , e depois se aventurou em um negócio de álbuns digitiais. “Tive um bureau digital durante quatro anos, mas o mercado me engoliu.” E Daniela, mais uma vez, saiu de cena.
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Seu retorno ao mercado ocorreu por uma via que ela jamais havia imaginado. “Fiz um laser na pele que me deixou toda manchada, eu não podia tomar sol de jeito nenhum. Passei a usar e comprar vários chapéus. Em uma das minhas viagens, tinha comprado um monte de tecidos de Ikat (técnica de estamparia oriental), e fiz uma coleção de chapéus.” Resultado: Daniela fez um desfile em sua casa e vendeu 200 chapéus de uma vez só. Tempos depois, em outra viagem, vindo do Marrocos e passando pela Prada, em Milão, se deparou com colares poderosos na vitrine da grife italiana.
“Vieram as inspirações.... eu sou de família libanesa, tenho um pé no enfeite”, constata. E o processo criativo, que dispensa os desenhos, se instalou. Daniela adotou um logotipo que lembra, e muito, o de Courréges. "Era uma referência da minha infãncia... é uma homenagem", garante. As bolsas voltaram para sua vida por uma exigência da clientela, que pedia para ter, de novo, itens semelhantes aos que ela produzia na RSVPurse. A produção é 100% artesanal, o que leva os preços a patamares elevados (os colares giram na faixa de R$ 1.600, R$ 2.000; as bolsas custam R$ 1.500, os caftans, feitos com tecidos importados e únicos, saem por R$ 850). É o preço da exclusividade.
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