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Anderson Birman, da Arezzo, dá sua versão para o caso 'Pelemania'

Pela primeira vez, uma coleção é retirada das lojas por pressão das redes sociais. O presidente da Arezzo fala sobre sua decisao

Deborah Bresser |

Divulgação
Anderson Birman tomou pessoalmente a decisão de retirar as peças polêmicas das lojas
Uma coleção feita com peles exóticas, como as de raposa e coelho, batizada de Pelemania, levou a Arezzo ao trending topics do twitter no Brasil esta semana e causou a maior polêmica no Facebook. Sob pressão das redes sociais, a marca retirou as peças das lojas. Em entrevista exclusiva ao iG Moda, Anderson Birman, presidente da Arezzo, fala sobre o imbróglio das peles e da decisão de tirar a coleção das vitrines.


iG Moda: Vocês esperavam que a reação do público fosse tão contrária à coleção ‘Pelemania’?
Anderson Birman: Não, até porque a rejeição que existe é localizada nas mensagens de Twitter e Facebook. Tenho recebido uma tonelada de emails me criticando por ter tirado as peças das lojas, gente que consome e que gostaria de consumir esse tipo de produto. A questão é que se entra em uma seara complicada, pois o as peles usadas são de criatório. O abate de animais faz parte da cadeia alimentar humana e é muito mais ecológico o uso de peles do que do couro sintético e do plástico.


iG Moda: Qual o motivo, então, de retirar a coleção das lojas?
Anderson Birman: A Arezzo é uma empresa de moda, não vou abrir o debate, nem ficar discutindo isso. Eu estou comprometido com as mais de 5 mil pessoas que trabalham no negócio e não vou colocar a empresa debatendo isso. O que é novo pra mim é como a questão de minorias se faz muito presente em redes sociais.

IG Moda: Rede social só é bom quando fala bem?
Anderson Birman: Rede social é boa, proporciona um feedback, uma leitura do mercado. Não é bom quando o tema tem muita repercussão e não tem muita utilidade. Quanto tempo existe esse debate sobre o uso de pele? A questão é que a mobilização fica restrita a pessoas que pensam dessa forma. Eu conheço várias pessoas que usam pele, várias que não usam. Acho que a diversidade é a riqueza do mundo.

iG Moda: As peças foram importadas da China. Há como confiar na certificação das peças?
Anderson Birman: A fiscalização compete aos órgãos de controle, nós atendemos às orientações legais, temos toda a documentação da certificação. O abate de animais silvestre é crime e o controle é rigoroso, não entra em país algum, não tansita em alfândega sem o licenciamento responsável.


iG Moda: Por que as peles causam esse tipo de reação, mas o couro não?
Andreson Birman: Acho que o bichinho peludo está mais no cognitivo humano do que a vaca. O couro, apesar de todo processo poluidor que sua cadeia produtiva tem, é mais biodegradável do que o sintético. Conheço profundamente peles e couros. O Brasil é maior exportador do mundo do couro no primeiro estágio, quando ele é mineralizado e se chama wet blue. Produzir o couro nesse estágio é altamente poluente. Se os produtores segurassem esse couro no Brasil, seríamos muito mais competitivos no mercado internacional.

iG Moda: Qual o prejuízo para a marca?
Anderson Birman: Não arriscaria números, pois esses produtos estavam no entorno da coleção. Desde que a empresa abriu o capital no mercado e está exposta, eu alterno dias de crise com dias de exaltação. A gente tem de ter bom senso e equilíbrio para conviver com criticas e elogios. São 38 anos de mercado e não acredito que esse episódio vá afetar a história da marca. Em momento algum eu declarei que sou contra o uso de pele de animal. Recolhi as peças porque não quero discutir.


iG Moda: A Arezzo não quer fazer parte do debate?
Anderson Birman: A empresa não se coloca na posição de liderar e promover debates, principalmente em um foro com a rede social. Ao ler as mensagens deixadas no Twitter e no Facebook, o que a gente tira de crítica útil é muito pouco. A maioria é agressão e parcialidade. Não quero discutir isso. Meu compromisso é com a empresa. O que eu não queria e vou fazer de tudo para evitar é entrar nessa discussão. O objeto de desejo das mulheres de todo mundo é a bolsa Birkin da Hermés, feita de pele de crocodilo de criatório, que custa 30 mil dólares. Não podemos ser demagogos.


iG Moda: O que vai ser feito das peças recolhidas?
Anderson Birman: A coleção toda tem 2 milhões de peças e nós recolhemos 300 itens. O que vamos fazer com eles ainda não sei. Vou consultar a rede sobre o que fazer, quem sabe um leilão virtual? Não vou debater o que não é relevante. Se isso comprometesse a operação da empresa, talvez eu não fizesse, mas já que não compromete é preferível que eu recue. Não acho produtivo nem conveniente o debate na internet.


iG Moda: Essa é a primeira vez que a pressão da rede social leva à retirada de uma coleção das lojas. Isso vai mudar a relação das empresas com as redes sociais?
Anderson Birman: Eu gostria que o mesmo respeito que estou tendo, as pessoas tivessem com a empresa. Estou liderando isso pessoalmente, e viver a crise na rede social é estimulante, é preciso parar para pensar em como agir. Está sendo um aprendizado ótimo e aprender é sempre bom. O comunicado oficial eu redigi, mas hoje já faria diferente. Em vez de dizer que “não é da nossa responsabilidade discutir o tema em si”, eu diria que não é oportuno. Nossa responsabilidade é sim, mas não é oportuno.
 

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