Johnstons Cashmere, uma das marcas interessada no mercado brasileiro, que estará presente no British Lifestyle
Os ingleses estão chegando. Esta semana, um grupo de pelo menos 30 marcas do Reino Unido participam da missão comercial British Lifestyle, que será realizada no Centro Brasileiro Britânico, com promoção da UK Trade & Investment no Brasil, organização do governo britânico que auxilia empresas britânicas a ter em sucesso nos mercados internacionais e apoia companhias estrangeiras que queiram investir no Reino Unido. Entre os participantes, estão grifes de malhas e acessórios (como Begg Scotland, Johnstons Cashmere, Kat Maconie, Mackintosh e Orla Kiely), lojas de departamentos e vestuário (entre elas Caramel, Debenhams, Karen Millen, Lipsy e Mamas & Papas), e tecidos & interiores (como John Foster, Harris Tweed Hebrides, Holland & Sherry e Walker Greenbank). Em entrevista ao iG Moda, Simone Ricci, gerente comercial para os setores de Indústrias Criativas, Bens de Consumo e Educaçao & Treinamento do UK Trade & Investment – Brazil, explica como serão as negociações entre as empresas britânicas e potenciais parceiros brasileiros.
iG Moda: Qual é o público alvo do evento?
Simone Ricci: Em termos de audiência estamos falando em investidores, importadores, agentes, formadores de opinião. O foco é business. Queremos promover as marcas presentes no British Lifestyle comercialmente para o mercado brasileiro.
iG Moda: De que maneira o British Lifestyle pretende atuar para abrir mercado para as marcas no Brasil?
Simone Ricci: Por meio de reuniões comerciais, nas quais o staff do Consulado Britânico em São Paulo irá colocar as empresas britânicas em contato direto com os key players do mercado. A função é justamente essa: fazer a ponte comercial para que as novas marcas britânicas tenham sucesso no Brasil. Além das reuniões, as novas marcas também terão acesso ao mercado local por meio de retail tours e market information, para que possam entender e assimilar a cultura local, muitas vezes adaptando as novas marcas à cultura brasileira.
iG Moda: Que tipos de parcerias seriam indicadas para as marcas britânicas interessadas em atuar no mercado brasileiro? Elas pretendem entrar em multimarcas? Encontrar investidores para lojas monomarcas?
Simone Ricci: Depende muito do foco e da estratégia comercial de cada empresa participante. A Karen Millen, por exemplo, só trabalha com sistema de franquias. Já as empresas de tecidos escocesas buscam agentes e importadores para seus produtos. Outras ainda, como a Debenhams, almejam abrir uma loja de departamentos onde designers britânicos e brasileiros serão promovidos e comercializados.
iG Moda: Qual a visão que as marcas britânicas têm do mercado de moda nacional e qual espaço que elas poderiam ocupar?
Simone Ricci: O mercado brasileiro de moda já amadureceu muito desde a criação do São Paulo Fashion Week pelo empresário Paulo Borges, mas ainda há muito espaço para troca de experiências e inspiração entre ambos os mercados, além do aprendizado com o estilo, criatividade e profissionalismo da moda britânica.
iG Moda: Qual é o potencial de negócios dessas marcas no Brasil?
Simone Ricci: O potencial é muito grande levando em consideração principalmente o crescimento do mercado de luxo brasileiro, e dos países emergentes em geral. A estabilidade econômica e política do país também em muito contribuirão para o sucesso das mesmas, sem falar no mercado consumidor brasileiro que sabe o que o mundo oferece de melhor, pois é viajado, antenado e focado.
iG Moda: Muitas grifes importantes do mercado de luxo mundial já estão instaladas no Brasil. Quais seriam os concorrentes das marcas britânicas aqui?
Simone Ricci: Podemos dizer que a moda britânica, o British Lifestyle, é bem original. Não vemos nenhum competidor direto para a Burberry, Paul Smith, Karen Millen, Orla Kiely e Debenhams até esse momento.