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O retorno da House of Worth, a casa que inventou a alta-costura

O estilo do inglês Charles Frederick Worth, primeiro costureiro a assinar roupas feitas sob encomenda, está de volta às passarelas

Glauco Sabino, de Londres, especial para o iG Moda |

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Criação House of Worth, da coleção Inverno-2011
Na última semana de alta-costura de Paris, Alexandra Schuman (Vogue britânica), Carine Roitfeld (Vogue francesa) e Suzy Menkes (International Herald Tribune) foram vistas juntas inspecionando a coleção de inverno 2011 da recém-reinaugurada House of Worth. Nas críticas, o trio mostrou-se até que satisfeito com os vestidos-bailarina estruturados em corpetes de mangas compridas e bordados minuciosamente. Tudo fruto da criação do novo estilista da marca, Giovanni Bedin, que, segundo as poderosas editoras, ainda precisa trazer ar mais moderno à grife, fundada em 1858.

Com preço médio de R$ 18 mil, dá para imaginar as atrizes Eva Green e Freida Pinto nesses mini-tutus, combinados com botas de couro de cano altíssimos em tapetes vermelhos mundo afora. Já nós, que não frequentamos premières ao redor do mundo, ainda teremos de esperar pela coleção de prêt-à-porter da grife, cujos preços devem variar entre R$ 600 e R$ 6 mil, que deve chegar às lojas em fevereiro de 2011. Já existem planos para uma loja em Londres e outra em Paris, provavelmente no mesmo lugar onde Charles Frederick Worth inaugurou seu primeiro ateliê, na Rue de La Paix.

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Charles Frederick Worth
Pai da alta-costura
Nascido na Inglaterra em 1826, Worth é considerado o pai da alta-costura: foi o primeiro costureiro a assinar roupas feitas sob encomenda, a preparar uma coleção com antecedência e a usar modelos de carne e osso para mostrar suas criações (o que fez dele o inventor do conceito de passarela). Aos 12 anos, já era aprendiz na fábrica de drapeados Swan & Edgar. Em 1846, mudou-se para Paris, o centro da moda, para trabalhar na Gagelin & Opigez, conhecida pelos xales de seda. Ali, começou a criar vestidos simples para sua esposa, Marie Vernet, a modelo da loja. Os clientes se interessavam pelas peças diferentes que ela vestia, o que o permitiu abrir um departamento para atendê-las.

Os anos de 1852 a 1870 são considerados de extravagância na moda francesa. A sociedade parisiense estava ávida para demonstrar sua recente riqueza e Worth soube oferecer às consumidoras o que outros costureiros não podiam. Em 1855, ganhou o primeiro prêmio na Exposição de Paris, com um vestido criado para uma dama da corte. O sucesso veio quando a imperatriz Eugenie, esposa de Napoleão III, se tornou cliente dele, solidificando sua reputação.

'Estar na moda'
Antes de Worth, as roupas eram produzidas por numerosas costureiras que não criavam novos estilos, mas construíam artesanalmente as roupas de acordo com as especificações da cliente, com tecidos dela. Assim, a responsabilidade por estar “na moda”, recaía sobre quem usava a roupa. Worth revolucionou esse aspecto. Em 1858, inaugurou com o sócio Otto Bobergh a Maison "Worth & Bobergh", com 20 funcionários. O negócio prosperou e, por volta de 1871, 1,2 mil pessoas trabalhavam no ateliê.

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Criação de Worth
Worth soube aproveitar todos os benefícios que a segunda fase da Revolução Industrial pode trazer: introduziu no ateliê uma linha de produção em série, que criava partes padronizadas e intercambiáveis dos vestidos. Mangas diferentes podiam caber em inúmeros corpetes que, por sua vez, combinavam com várias saias. Em 1860, adotou os moldes de papel e a figura da modelista, funcionária treinada para criar e fazer moldes. Ele usava máquina de costura para quase tudo e era receptivo às invenções tecnológicas que podiam ultrapassar em rapidez e qualidade os trabalhos de aplicação de enfeites e adornos, por tradição realizados manualmente. Esse processo de produção passou a considerar as peças de roupa de maneira fragmentada, com resultados mais rápidos, economia de tecido e qualidade no acabamento. A produção anual da maison Worth era de aproximadamente 7 mil vestidos, atendendo toda a Europa e os Estados Unidos. Era um volume de mercado que os concorrentes, ainda estruturados em um sistema artesanal de confecção, não podiam alcançar.

Declínio e retorno
A maison Worth cresceu durante o segundo império na França e sob a atmosfera opulenta dos anos de ouro dos Estados Unidos. As criações se tornaram furor nas décadas de 1860 e 1870. Após a Guerra Franco-Prussiana, durante a qual Worth transformou a própria casa em hospital militar, o sócio se retirou e ele continuou o negócio com a ajuda dos filhos, Jean e Gaston, naturalizados franceses. Por volta de 1900 o império de Worth, que falecera em 1895, perdeu a força. O filho caçula mantinha a clientela, mas a proeminência da maison foi sacudida pelo novo estilo desestruturado do criador Jean Poiret, ex-funcionário da casa.

Os anos de ouro terminaram, havia menos bailes e a extravagância e otimismo anteriores estavam ofuscados pela sombra da 1ª Guerra Mundial. A única faísca de prestígio experimentada pela maison depois desse período foi em 1932, quando Jean e Gaston lançaram o perfume Je Reviens, que fez enorme sucesso comercial na época. O vidro azul royal da fragrância tornou-se um dos presentes favoritos dos soldados às suas amadas. Mas nem isso impossibilitou o fechamento da maison.

Em 2003, o empresário Martin McCarty comprou a propriedade intelectual da marca, reunindo a linha de roupas e perfumes. McCarty escolheu o italiano Giovanni Badin – que trabalhou com Karl Lagerfeld e Thierry Mugler – para criar a versão moderna da House of Worth. A re-estreia foi na temporada de alta-costura de verão 2011. Há planos para uma linha de bolsas, luvas, acessórios para casa e joias. Em entrevistas, McCarty já afirmou que um grande estilista britânico se interessou em assumir uma futura linha masculina. Enquanto isso não acontece, o perfume Je Reviens será relançado em setembro na loja de departamento Harrods, em Londres, como parte da exposição Perfume Diaries, que celebrará as mais importantes fragrâncias da história. Agora é esperar pra ver por que caminhos (ou armários) o legado de Worth seguirá. Será que Lady GaGa se candidata?

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