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Moda No Mundo
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Por dentro de uma fábrica de roupas

Visitamos a Guararapes Confecções, em Fortaleza (CE) e Extremoz (RN), e contamos como as roupas são feitas

Andressa Zanandrea

A camisa que você está usando agora pode ter passado por 35 pessoas em uma fábrica, do momento em que era um rolo de tecido até se tornar uma peça pronta. Sua calça jeans deve ter sido costurada em 18 minutos.

Esses números fazem parte do dia a dia da Guararapes Confecções, o maior parque fabril da América Latina, uma produção mensal de 4,9 milhões de peças em Fortaleza (CE), onde trabalham mais de 7,8 mil pessoas fazendo jeans e alfaiataria, e em Extremoz (RN), onde há mais de 16,4 mil funcionários para malharia, polos e camisaria. Todas as roupas são comercializadas pelas lojas Riachuelo.

As peças são criadas por uma equipe de 33 estilistas, dos quais 14 em Extremoz, oito em Fortaleza e 11 em São Paulo. Há também seis designers gráficos, que fazem as estampas. Seis meses antes de a coleção chegar à loja, estilistas e gerentes de produção fazem viagens de inspiração, para cidades como Londres, Barcelona, Nova York e Paris. “Isso é muito importante, pois a gente vive o clima, o contexto. Ouve as músicas, vê o comportamento, a decoração”, explica a coordenadora de moda da fábrica de Fortaleza, Lucineia dos Santos de Andrade. Depois da viagem, os estilistas têm duas semanas para montar as coleções, que são mensais e trazem itens exclusivos para as lojas das regiões Norte e Nordeste e outros para as Sul e Sudeste.

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As fichas de cada peça trazem desenhos – feitos em CorelDRAW –, medidas, todas as especificações. A partir daí, é comprado todo o material necessário e a modelagem começa a ser feita. A ideia leva um mês para sair do papel e se tornar peça-piloto – que é provada e passa por avaliações, para ver se é viável produzir em escala – e dois meses para começar a ser produzida na fábrica. Em média, são criadas 500 peças por coleção, por marca. São produzidas 5 mil unidades de cada peça, em tamanhos que variam do 36 ao 50, para mulheres, e 38 ao 52, para o masculino. A equipe de estilo também ajuda a compor os catálogos das coleções e dá as orientações para as vitrines das lojas terem a mesma linguagem em todo o País.

Do fio à camiseta
A Guararapes compra os fios e produz as malhas que vende, como a meia-malha, para camisetas, e o piquê, para camisas polo. Os fios crus, sem cor, vêm em cones, são tingidos, para fazer o fio-tinto, usado em camisetas e pólos listradas, por exemplo. As malhas são tingidas a uma temperatura de 170 graus para que o corante seja fixado e fiquem mais macias.

Todos os tecidos são esticados e cortados por máquinas. Elas são programadas de acordo com as partes que se quer cortar, como bolsos, pernas e cós, de forma a aproveitar o material ao máximo. São colocadas várias camadas de tecidos e tudo é cortado de uma vez só.

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Depois, as partes cortadas passam para a costura. Cada costureira é responsável por costurar uma parte da peça (cós, mangas, pernas, etc.). Em média, leva-se 20 minutos para costurar uma peça. Os jeans – que são comprados de fornecedores e chegam brutos à fábrica – recebem lavagens depois de costurados. Em Fortaleza, há máquinas que comportam 250 peças por lavagem e, no modelo maior, a capacidade é de 800. São usados produtos como pedras, enzimas e permanganato de potássio – no lugar de lixas –, para fazer os efeitos. Em seguida, os jeans passam pela centrífuga e pela secadora. Há também outros detalhes que são feitos a laser, a partir de desenhos criados por computador.

As peças de malha e jeans podem receber strass, bordados, efeitos tie-dye, silks, paetês, entre outros elementos. Algumas coisas são feitas automaticamente pelas máquinas, como bordados, aplicações de paetês e aplicação de bolsos traseiros. Strass e tachas são aplicados manualmente, assim como os silks, e o tie-dye é obtido por meio de lavagem: as partes que devem ficar sem tingimento são amarradas.

Prontas, as roupas passam, em média, por três revisoras antes de saírem da fábrica. A peça-piloto fica em uma arara, para servir de referência em casos de dúvidas. As roupas saem já passadas e etiquetadas com preço para os centros de distribuição, em Extremoz e São Paulo. Desses locais, as peças são distribuídas para as 124 lojas da rede em todo o País.

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Modelo de negócio
Fundada em 1976, a Guararapes Confecções produzia roupas para diversas lojas, mas desde 2007 passou a ser exclusiva da Riachuelo, num modelo de negócio diferente do de outras redes varejistas de fast fashion, como Renner, C&A e H&M, que terceirizam a produção. A Riachuelo também compra peças de terceiros, como casacos importados e acessórios.

As fábricas funcionam em três turnos: das 6h às 14h, das 14h às 22h e, alguns departamentos, como a lavanderia e a malharia, das 22h às 6h. Das 50 mil peças produzidas diariamente em Fortaleza (1,4 milhão de unidades por mês), são 23 mil jeans, 11 mil camisas, 12 mil peças de sarja e 4 mil de alfaiataria.
 

 A jornalista viajou ao Rio Grande do Norte a convite da Riachuelo

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