A Rosa Chá já foi uma marca de moda praia. Nasceu assim e assim se criou. No entanto, ao passar por uma transição comercial, que incluiu a venda da marca e a saída de cena de Amir Slama, a grife foi para as mãos de Alexandre Herchcovitch, o estilista mais celebrado do cenário da moda brasileira. Na primeira coleção, mostrada em janeiro, a marca deu sinais de mudança, com maiôs e biquínis que mais pareciam lingerie, o que não deixou de ser um sopro de renovação. Em sua apresentação de hoje, a expectativa era ainda maior, por ser o primeiro verão sob a batuta de Herchcovitch.
Veja o desfile da Rosa Chá
O show ao vivo de Geanine Marques, amiga e musa do estilista, embalou o que, a princípio, parecia uma reedição da coleção passada, com diversos collants estruturados como corpetes, com frisos bem marcados cruzando as peças, deixando aquele perfume de lingerie antiga no ar, com direito a babados e sainhas. A coleção ganha força com a entrada da estamparia, que começa com uma folhagem verde e rosa e explode em coloridos xadrezes e florais de pique, quase fluorescentes, em vestidos longos com babados na barra, ou curtos, em evasés transparentes.
Agora... não é possível enxergar na coleção peças que possam ir à praia. As calcinhas são altíssimas, de cintura marcada e bufantes, marcadas com pregas. Os maiôs são fechados nas costas, alguns apresentam colchetes, como corselets, outros têm zíper na parte da frente, há opções com alças múltiplas, a maioria vem com recortes cobertos por tela, ou seja, nada prático. O ponto alto da coleção é o biquíni com gola de camisa e cruzado nas costas, como um engana-mamãe ao contrário.