Samuel Cirnansck não poupa a sofisticação no inverno 2010, como era de se imaginar. E ainda bem! A estação fria chega toda formal e nada convencional, com mulhere-móvel de sala de estar, em um vestido longo estruturado com uma mesa de centro em tamanho médio (que dificultou a caminhada da modelo Bruna Sottili na passarela) e chapéu que imita um abajur de luxo.
Na certela de cores, tons rosados com preto como elemento principal, de uma coleção de inverno ao estilo das personagens nos manuscritos de Machado de Assis e suas senhoras cultas, porém submissas aos maridos da alta burguesia de um Rio de Janeiro rico, e, europeu. Bordados com canutilho tradicional black em georgette de seda resgataram a obra do carpinteiro inglês Thomas Chippendale, do século XIX, que mesclava o estilo chinês ao francês de movelaria.
A noiva de Samuel vem com cauda florida, com tecido fofo (parece estofado de sofá) e cinto marcado na cintura, em tom off-white. Com vestimenta das senhoras burguesas e da aristocracia da belle époque brasileira, o inverno é clássico, bordado e decorativo: uma sala de estar quase surreal.
Os tecidos variam do couro sintético de poliamida, tweed, lã ao silicone ultrafino. A coelção mistura bem a alfaiataria de corte preciso (aparentes nos casacos de lã pesada) com a sensualidade natural dos micro vestidos colantes e fenda até acima da coxa, que permite a visão de uma anágua moderna em renda negra. Haja criatividade!