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13/01 - 11:00

Vale a pena ter desfiles de roupas para o frio em um lugar que só faz calor?

Luciana Barreto


Quando se pensa em Rio de Janeiro a imagem que vem à cabeça não é, certamente, a de um casaco grosso ou um cachecol.

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A cidade mantém a temperatura bem próxima dos 30º C ao longo do ano e tem a praia como símbolo. Por isso,os desfiles de inverno do Fashion Rio, que acontecem a partir do próximo domingo, podem causar estranheza.

Afinal, vale a pena ter desfiles de roupas para o frio em um lugar que só faz calor?

O produtor de moda Gustavo Garcez, que trabalha na equipe de Lilian Pacce, garante que sim, para que os estilistas não percam as vendas. "Eles têm de se adaptar às condições climáticas e driblar as temperaturas para faturarem. Por isso hoje é comum ver coleções de pre-fall, resort collections, alto-verão. Tudo isso é feito para que não se perca a venda", afirma ele.

SEM ESTAÇÕES
“No Brasil não existe estação”, afirma o estilista Walter Rodrigues. “Estamos em janeiro e está frio. Claro que o inverno é uma estação mais complicada para os estilistas, já que é mais curta e não existe o frio que gostaríamos para usar lãs e cashmeres. Porém é importante estar presente e exibir a coleção. Quem não é visto, não é lembrado”, diz.

Lílian Pacce afirma também que, em tempos de aquecimento global, não se pode acreditar em estações do ano muito definidas. “Os desfiles devem acontecer, mas o Rio realmente tem vocação para moda praia. No inverno, cria-se menos expectativa, embora a organização faça esforço para trazer novos talentos, o que é muito positivo”, declara.

NEGÓCIOS
Segundo Walter, as semanas de moda são importantes para fazer negócios e criar no consumidor o desejo de compra. “Moda é renovação. É importante trocar as araras, as vitrines e incentivar os clientes”, diz.

Vivian Whiteman, da coluna Última Moda, da Folha de São Paulo, concorda: “O Fashion Rio é um evento e feira de moda que acontece no Rio de Janeiro, mas que lança coleções que vão para lojas e shoppings de todo o país. O Brasil, com exceção talvez da região Sul, tem um inverno muito ameno. Então, o lance é investir em coleções menos pesadas, que levem em conta o clima e os hábitos de vestir dos brasileiros”, diz.

Claro que não se deve esperar a rigidez de um inverno estrangeiro para as peças que serão vistas nas passarelas cariocas. "O bom estilista é aquele que fizer um inverno mais brasileiro, mas que ainda assim nos dê vontade de vestir algo novo na estação", completa Gustavo.

Para a jornalista Maíra Goldschmidt, sub-editora do site Chic, o mercado deveria se concentrar em São Paulo nas coleções de inverno. "Seria melhor para haver mais investimento, com marcas que realmente tivessem condições de crescer. No Rio, ficariam as coleções de verão focadas no que os gringos querem ver", afirma ela.

Querido das celebridades, Carlos Tufvesson afirma que prefere pular as temporadas de inverno por duas razões. “Não são tão disputadas quanto as de verão e ainda cortam nossas férias ao meio”, diz.

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