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18/01 - 15:39

Entrevista exclusiva: Dudu Bertholini

Luciana Mattiussi


Ele nunca passa despercebido. Seja pelo usual bom-humor ou pelo estilo único. Marcas registradas que o estilista passa para as coleções que desenvolve em parceria com a amiga Rita Comparato

Se a Neon, a grife própria da dupla, é conhecida pelas peças estampadas e coloridas, na tradicional Cori (que desfile hoje às 19h) – onde substituíram Alexandre Herchcovitch na direção da equipe de criação no final de 2007 – também já é evidente este DNA dos dois.

Antes de se tornar estilista, Dudu foi stylist das marcas Triton, Carlota Joakina e Colcci e assinou vários editoriais em revistas como as edições nacionais da Vogue e da Elle e a inglesa I-D. Em 2002, convidado por J.R. Duran para fazer uma produção de moda, Dudu pediu a Rita que criasse dois maiôs exclusivos. Animados com o resultado, os amigos resolveram apostar numa marca.

O primeiro desfile, já como Neon, foi no ano seguinte, na sala da casa de Dudu. Em 2004, o produtor Cacá Ribeiro entrou como sócio. Daí para o SPFW e se tornar uma das marcas mais aguardadas no evento, foi um pulo. Mas não sem antes passar pelo Amni Hot Spot. Atualmente, são 85 pontos-de-venda no Brasil e representações internacionais em Tóquio e Nova York.

Agitadíssimo com os preparativos para os desfiles da Neon e da Cori no SPFW Inverno 2009, Dudu conversou com o iG. Confira os melhores trechos a seguir:

O que te inspira para fazer uma coleção?
Estilo. Essa é nossa principal inspiração. No caso de Neon, ele está acima de design. Nossa mulher veste diferentes temas a cada coleção, mas seu estilo é sempre o mesmo.

Viagens e lugares marcantes nos inspiram muito, assim como as mulheres que amamos, os filmes que assistimos, as festas que freqüentamos, e assim por diante.

Quais as diferenças em criar para a Cori e criar para a Neon?
O ponto comum é que ambas fazem roupas para mulheres de verdade. A mulher da Neon é exuberante, e usa silhuetas glamourosas, porém descomplicadas. Já a mulher da Cori é urbana e prática, gosta de construções inteligentes e de boa alfaiataria. Sua elegância é mais silenciosa.

É muito prazeroso desenhar a Cori, pois ela complementa nosso trabalho como estilistas e nos proporciona diferentes desafios.

Como é trabalhar com a Rita? Vocês discordam bastante? Como chegar num consenso?
A Rita é uma parceira incrível. Eu a admiro e respeito muito. A Neon é um resultado dessa amizade. Se apenas um de nós a desenhasse, não seria a Neon. Mas é claro que nós discutimos muito, sempre. Somos uma mistura de sócios, irmãos caçulas e marido e mulher.

O que você está propondo para o inverno da Cori e para o inverno da Neon? Quais as principais tendências?
Na Cori a arquitetura e o concretismo foram nossos pontos de partida. A silhueta vem mais seca, e as pantalonas dão lugar para as calças retas.

O desfile da Neon é um baile. O destaque é a Rubi, nossa linha de festa. Há estampas de instrumentos musicais, dança, drinks. Nesse momento de crise e dificuldades, onde temos que ser empresários sérios e a moda realista, percebemos que por mais difíceis que as coisas estejam,não podemos perder o humor, a leveza. É esse espírito que nos move, e se não nos divertimos com o que fazemos tudo perde o sentido. Por isso nosso desfile será uma grande celebração.

E por falar em crise, quais as suas expectativas para o mercado da moda em 2009? A moda brasileira será afetada?
Não será um ano fácil. Nesse clima de incertezas as clientes não querem se arriscar. Só compram o que realmente vende, em poucas quantidades. Sou otimista, acredito em melhoras. Obama na presidência e a boas vendas do último Natal devem ajudar bastante.

Como foi a experiência de participar do júri do Brazil's Next Top
Model?
Foi legal pois a equipe é muito entrosada. Nos divertimos bastante nas gravações.

Aceitaria participar de novo?
Talvez.

Você escalou alguma das concorrentes do programa nos castings de inverno?
Os castings ainda não estão fechados.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG

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