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Semanas de Moda
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Alexandre Herchcovitch e seu difícil verão oitentista

Mais focado em produtos licenciados que levam seu nome, estilista mostrou coleção livre das amarras dos desejos comerciais

Ana Heloisa Costa | - Atualizada às

Uma verdade da SPFW é que muitos fashionistas já entram na sala de desfile de Alexandre Herchcovitch esperando ver uma das melhores coleções da temporada. Talvez seja pela expectativa ou pela inspiração escolhida – a década de 1980, que mais gera narizes torcidos nos amantes da moda – que a saída da apresentação tenha mostrado tantas expressões confusas. O que se espera de Herchcovitch é uma coleção chique e com uma pitada irresistível de irreverência. O que se viu foi uma coleção difícil e que exigirá que as clientes da grife quebrem a cabeça para fazer novas combinações além das vistas na passarela.

A silhueta não ajuda muito. Saias com volumes nos quadris revezam-se com camisetas com ombros deslocados para o meio dos braços, com mangas largas e curtas. Para quem prefere as calças, há alguns modelitos baggy, que deixam os tornozelos à mostra ou as bermudas amplas que, combinadas de forma equivocada, podem aumentar exponencialmente os quadris. A estampa de maxi quadriculado, com direito a corações camuflados pelas linhas retas deverá assustar as menos ousadas. Melhor apostar nas camisas, saias e vestidos de shantung de seda, colorido em pink e cereja ou nos crisântemos e xadrezes mais discretos, tingidos de azul marinho e vermelho.

Na coleção, algumas dualidades chamam a atenção. Destaque para as peças que eram quadriculadas com dois tons na parte da frente e outros dois na parte de trás. O mesmo se repete em vestidos com coloridos diferentes no top e na saia. Tudo casadinho, de forma que as linhas se encontrassem perfeitamente. O acabamento, aliás, é sempre um dos pontos mais fortes do trabalho de Alexandre Herchcovitch. Bainhas verdadeiramente invisíveis, costuras impecáveis e bolsos posicionados milimetricamente enriquecem – e muito - a roupa.

Boy George animava a trilha sonora, mas não anima tanto como referência de estilo nos dias de hoje. A impressão que ficou é que Herchcovitch decidiu criar uma coleção mais livre das amarras comerciais (o que pode significar uma menor importância à aceitação da clientela) e focar nos produtos licenciados que levam seu nome, como os sapatos da Via Uno, as canecas da Tok Stok e os edredons da Zelo. A atenção comercial aos produtos que ganham sua etiqueta, mas são mais acessíveis ao grande público, é visível até em uma rápida comparação de sua coleção prêt-à-porter, mostrada hoje, e o desfile da marca de jeanswear, há duas semanas, no Fashion Rio. A segunda linha veio mais desejável à passarela, enquanto a grife principal deverá rechear apenas os guarda-roupas das clientes mais assíduas.


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