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Semanas de Moda
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Balanço SPFW verão 2012 - dia 6

Androginia está em alta no verão menos sexy dos últimos tempos. SPFW fecha com coleção nostálgica de Ronaldo Fraga

Redação iG Moda |

Marcio Madeira
SPFW: Pedro Lourenço Verão 2012
Pedro Lourenço, filho dos estilistas Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, abriu o último dia da SPFW verão 2012, com apresentação da coleção Resort, apenas para a imprensa convidada. Peça a peça, a coleção foi explicada pelo designer, da escolha dos tecidos ao acabamento, bem à moda antiga. Sem desfile. Modelagem reta e geometria marcam esta coleção que é inspirada no tropicalismo brasileiro, com direito a saia de látex extraído por índios e que só podem ser produzidos nos tons café com leite, marrom e branco. A cartela de cores conta ainda com muito verde, amarelo e azul. Aves brasileiras destacam-se na estamparia,pintada a mão. Mas o grande trunfo de Pedro são os ímãs aplicados em alguns vestidos que, quando dobrados, revelam os detalhes internos. O approach com a imprensa não é só por essas bandas, não. Em outubro, Pedro avisa que apresentará a coleção aos jornalistas da França, nos mesmos moldes. Tá?!

A complexidade fashion do cantor britânico David Bowie inspirou o estilista João Pimenta, que mostrou coleção dandy e andrógina, neste que que é o verão da inversão de gêneros (na moda, claro). A alfaiataria é superampla, com calças largas, sobretudo que arrasta no chão (meio vitoriano), faixas na cintura (japonismo), mangas bufantes e flor gigante na lapela do smoking de tecido que brilha, com bordados de paetê. A partir de peças básicas, como a camisa de manga-longa branca, o estilista sugere looks suntuosos, com sobreposição de saias, babados e assimetrias estratégicas (meio Dracula, de época). Frente única masculina e legging de lantejoula sobre bermuda ampla confirmam a androginia do verão 2012, nesta coleção que revisita a gravata (bem curtinha) e os suspensórios, elementos típico do guarda-roupa masculino. A cartela de cores traz amarelo, preto, branco, azul royal, verde e rosa. Nos pés, clogs com calcanhar de fora, de couro. Em contraste a toda essa megalomania, bodies colados no corpo (com bordado de pardais, bem coloridos e pretos, de maxicanutilho), tipo segunda-pele, remetem aos anos 1980 de Bowie, em sua fase mais bizarra e incrível. Na trilha-sonora deliciosa, Rebel-Rebel, que traduz bem o tom transgressor da coleção.

Fernanda Yamamoto dá um susto fashion logo no início do desfile de verão 2012, com estamparia de Hello Kitty tão datada (embora distorcida, nesse caso), que fica difícil sair da categoria over (ultrapassada). No entanto, aos poucos, no desenrolar da coleção, o incrível trabalho dos emaranhados de linhas, bem finas, criando textura e estampa colorida abstrata, faz a gente esquecer do escorregão do início (que tem explicações financeiras, afinal nenhum estilista pode se dar ao luxo de abrir mão de uma parceria), em um trabalho cujo resultado é, no mínimo, intrigante. Formas arredondadas nos recortes das costas e decotes são recorrentes. O comprimento varia do midi ao curto, sem extravagâncias. Assimetria de barras e do maxicolete de alfaiataria dão movimento às peças leves e frescas.

É visível o esforço da Amapô de se enquadrar no padrão verão 2012: maxi, confortável, com pouco apelo sexy, apesar das transparências masculina e feminina estarem com tudo. Pitty Taliani e Carô Gold, estilistas da marca, investem no jeans bicolor (mais claro, quase branco e escuro), na alfaiataria ampla, desconstruída (o blazer masculino com estampa de poá e manga curta é um dos melhores), no mix xadrez-listras e peças esculturais, como o vestido curto de tela durinha, com gola gigante, vitoriana, que encerrou o desfile. O macacão saruel masculino, bege escuro, liso destaca-se como a peça minimalista da vez, bem diferente das grandiosidades e explosão de cores e estampas já conhecidas da Amapô. Tem calça de rica, afunilada na canela e com o cavalo bem baixo, vestido-cisne, com saia volumosa arredondada e vestido curto feito de camadas de retalhos coloridos, à moda boneca Emília. Se a silhueta feminina fica perdida na forma ampla da alfaiataria street, a masculina é bem marcada por fita-cadarço, usada sobre o paletó. Na cartela de cores, todas, ou quase todas, com destaque para o branco, o roxo, o vermelho, azul, verde, amarelo e preto. A Amapô traz ainda peças de tecido plastificado, como a saia longa com fendas e efeito quadriculado-pastilha, no vestido e no blazer. Maxilaços e sapatos transparentes, de plástico, são os acessórios da vez, nesta que é uma das coleções mais contidas da marca.

André Lima viabiliza novos caminhos para a moda festa feminina. Ainda bem! Neste desfile de verão 2012, o estilista coloca a calças de alfaiataria amplas e ao estilo odalisca no patamar de roupa de baile, ao lado de vestidos esvoaçantes, com fendas e outros ao estilo sobretudo (lindo o dupla-face, com forro cor-de-rosa). Mix de tecidos deixa a roupa extremamente sofisticada, com textura tripla, brilhante e opaca. Assimetria de mangas, saias, ombro único e tecidos tecnológicos são artifícios para essa moda festa revisitada, com acessórios de cabeça superelaborados, com pedras e arame. Bodies ultracavados valorizam cintura, ombros e vem bordados, sendo destaque a peça de paetê branco. A cauda tem formato quadrado, dando volume à saia reta até o pé, combinada com camisa branca de alfaiataria. Laços e baixas bordadas de lantejoulas fazem o duo romântico-chique que toda mulher adora, principalmente para um evento de gala. Nos pés, sapato com meia-pata interna, lisos e estampados e olho marcado com delineador à moda egípcia. Afinal, festa e carão têm tudo a ver.

E a Semana de Moda de São Paulo teve final à carioca, com direito a cenário de Pão de Açúcar e sósia de Noel Rosa, cantando ao vivo, acompanhado de músicos da Vila Isabel. Ronaldo Fraga simplesmente arrasou. A coleção, praticamente toda em preto e branco (salvo o nariz do pierrô-estampa, que é vermelho e as nuances furtacor do maxipaetê chapado de alguns looks), resgata a moda do marinheiro dos anos 1930, evoluindo para roupas transparentes superdelicadas, dignas de um resort de luxo, vintage. A alfaiataria valoriza a camisa branca, usada com hot pant e gravatinha náutica, blusas cavadas, como a de estampa de baralho e peças assimétricas, como o colete. Tem vestido longo plissado, em camadas, com estamparia digital, e outros bordados de canutilho preto brilhante, com listras e quadradinhos, sobre tecido transparente, de uma delicadeza impressionante. A calça ampla é bordada com brocado leve, usada sobre hot pant. O poá também aparece como estampa, sendo chapado e 3D, efeito conseguido com a aplicação de esferas médias e grandes na camisa de alfaiataria e saia na altura do joelho.

No clima da alegria, golas tipo palhaço, que não descaracterizam o look. Recortes geométricos e botões são detalhes que merecem atenção, simples e ao mesmo tempo fascinantes. O chapéu é duplo e divide a cena com casquetes em formato de instrumentos musicais. Os óculos escuros são ovais, bem discretos. Nos pés, Melissa Ultragirl por Ronaldo Fraga (será lançada em agosto), tipo uma sapatilha de plástico arredondada, usada com meia do vovó. Para encerrar, todo mundo é convidado para a passarela, com festa de confetes, MPB e aquele suspiro de alívio de mais uma temporada cumprida. E muito bem cumprida. Parabéns, Ronaldo!

Em janeiro tem mais. Até lá!

Confira a cobertura completa do SPFW no iG Moda.

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